quarta-feira, 17 de agosto de 2011

PROFESSOR CRIATIVO


O PROFESSOR CRIATIVO
A NECESSIDADE DE IDÉIAS CRIATIVAS

A cena se repete domingo a pós domingo, em igrejas de Porto Alegre até Macapá, sejam grandes ou pequenas, ricas ou pobres.  As crianças entram na classe da Escola Bíblica Dominical, acham seus lugares (de preferência, tão perto da porta quanto possível) e esperam “mais uma aula”. Seu professor chega alguns minutos depois, ofegante, obviamente recém-acordado, Bíblia e revista da EBD debaixo do braço.

Começa com pedidos e respostas de oração. Ninguém consegue lembrar os pedidos da semana anterior. Um aluno pede oração pelo tio do seu vizinho que está com pneumonia. Mas não lembra o nome dele.

Depois de uma oração genérica para “abençoar os missionários”, a aula começa.

— Quem lembra o assunto da lição da semana passada? (Uma menina lembra que tinha alguma coisa a ver com pecado.)

— Quem fez a leitura da lição dessa semana? (Ninguém.)

— Quem memorizou o versículo? (Todos esqueceram de que tinham de memorizar um versículo. Joãozinho aproveita para jogar uma bolinha de papel em direção a Maria.)

O professor começa a ler a lição da revista denominacional. A história de hoje é sobre Davi e Golias. Para ilustrar, o professor (que por sinal pensa o que é bem criativo) mostra um estilingue que fez naquela manhã, pouco antes de vir para a igreja. Infelizmente, o elástico quebra a primeira vez que o professor tenta arremessar com ele.

Marcelo levanta a mão:

— Mas professor, pensei que fosse uma funda e não um estilingue que Davi usou para derrubar Golias?

O professor passa rapidamente para o próximo ponto, que também lê da revista.

Finalmente, pela graça de Deus, o sino toca convocando todos os alunos para o encerramento geral. Dez minutos se passam até que todos estejam congregados. Depois de cantar “parabéns” para os três aniversariantes da semana, um irmão lê os avisos. Haverá um concurso da EBD durante o próximo mês. Todos devem trazer visitantes para ganhar o prêmio como melhor aluno da EBD.

Finalmente, um “voluntário” de cada classe dá um resumo do que foi passado em sua aula. As crianças cantam um corinho. Uma classe recita um versículo. E o dirigente faz a oração de encerramento. E ninguém consegue entender por que a freqüência à EBD é cada vez mais fraca.

O caso apresentado é um exemplo extremo, talvez? Cremos que não. A mediocridade em nome de Jesus parece-nos ser a norma e não a exceção. O ensino que denominamos “evangélico” muitas vezes é uma ótima justificativa de dormir tarde, ir para a praia ou assistir a programas de TV no domingo pela manhã.

Mas, será que o ensino de Jesus era assim? Será que os outros apóstolos e os profetas lutavam para manter seus ouvintes acordados? Professores gostam de culpar seus alunos supostamente “descompromissados” com a Palavra, e às vezes têm razão. Mas será que muitos não param de frequentar a EBD por julgá-la irrelevante, cansativa e monótona?

Por que precisamos de professores criativos? Gostaríamos de sugerir algumas razões em defesa de um ensino criativo e excelente, não medíocre. Um ensino que transmite conteúdo com clareza:

1. Ensinamos com criatividade como reflexo da imagem de Deus em nós (Gênesis 1.26-28)

Como seres feitos à imagem de Deus, temos a capacidade de criar para a glória de Deus. A criatividade permite que vejamos relacionamentos novos, inventemos o que não existia antes e imaginemos soluções novas para velhos problemas.

2. Ensinamos com criatividade conforme o modelo dos grandes comunicadores da Palavra de Deus.

Os autores bíblicos estabeleceram o padão de criatividade na comunicação da vontade de Deus. Os apóstolos eram campeões da metáfora. Os profetas usavam lições objetivas; muitas vezes as suas próprias vidas eram mensagem. Por exemplo, Jeremias usou um jugo (Jr 28.10ss.), quebrou um vaso (Jr 19.10,11), escondeu um cinto (Jr 13) e enterrou pedras no Egito (Jr 43.8-9), tudo  para tornar concreto o recado de Deus para Seu povo.

Ezequiel foi amarrado com cordas (Ez 3.24-27), dramatizou um sítio contra Jerusalém (Ez 4.1-17) e o cativeiro (Ez 12), ficou trêmulo enquanto estava comendo (12.17-20), cortou, espalhou e queimou seu próprio cabelo (5.1-17). O livro de Oséias foi estruturado em volta do drama humano entre Oséias e sua esposa Gômer.

O ponto central de todos esses exemplos? Deus ordenou que a comunicação da sua palavra fosse tão gráfica e memorável quanto possível, e isso muitas vezes pelo uso criativo de objetivos e drama. Se os profetas precisavam de criatividade, quanto mais nós?

3. Ensinamos com criatividade conforme o modelo de Jesus.

O ensino de Jesus foi imprevisível e criativo, fato que garantia maior impacto para suas palavras. Usava diálogo e perguntas e respostas para provocar reflexão. Contava histórias (parábolas) que envolviam os ouvintes antes de eles perceberem que eles mesmos eram a “razão” da história. (De fato, Mateus 13.34 deixa claro que Jesus não lecionava nenhuma matéria sem contar histórias criativas!). Jesus ensinava em “3-D”, transformando objetos simples e até “tranqueira” em lições objetivas espirituais. Se o Mestre dos mestres precisava ensinar com criatividade, o que dizer de nós?

4. Ensinamos com criatividade por causa da realidade de vida dos nossos alunos.

Nosso mundo moderno está acostumado à mudança de imagens de cinco em cinco segundos. Como professores criativos, não podemos (nem queremos) competir com o mundo de imagens e fantasias que a TV inventa. Mas nem por isso vamos enfastiar nossos alunos com um ensino enfadonho, monótono e sem imaginação. Ensino criativo desperta os alunos através de imagens mentais (se não sempre materiais). Transporta o aluno dos dias atuais para o mundo bíblico e vice-versa. Usa TODOS os sentidos do aluno, e não somente o ouvido. Estimula o próprio aluno a embarcar numa jornada de descobertas no texto bíblico, em vez de simplesmente contar-lhe sobre a viagem do professor.

5. Ensinamos com criatividade para acelerar o processo de aprendizagem.

O educador cristão Larry Richards afirma que o ensino criativo acelera a passagem entre os cinco estágios ou níveis de aprendizagem. A criatividade facilita a transição de um nível a outro, pois torna o texto dinâmico e mostra como vivê-lo hoje:

1. Repetição (mera memorização).
2. Reconhecimento (associação/identificação de fatos).
3. Reformulação (colocar o conceito em nossas próprias palavras).
4. Relação (transportar o significado do texto para nossas vidas).
5. Realização (apropriação prática, viver a lição no dia-a-dia).5







Perguntas para discussão

1. Quais são suas maiores frustrações com seu contexto de ensino? O que pode ser melhorado?
2. Responda a essa declaração: “Não preciso de idéias criativas. Só quero ensinar a Bíblia.”
3. Por que Deus usou tantas histórias, figuras, ilustrações, lições objetivas, parábolas e provérbios para transmitir a mensagem da Palavra?
4. Procure lista as “técnicas” criativas usadas pelos autores e profetas da Palavra de você consegue lembrar.
5. Quais são alguns dos perigos no uso da criatividade no ensino cristão?

5 Adaptado de Lawrence Richads, Creative Bible Teaching (Chicago: Moody, 1970), PP.69 ss.

Texto extraído do livro: IDÉIAS CRIATIVAS, de David Merkh e Paulo França

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